14 outubro 2026
EcoReFibre demonstra novas oportunidades para a produção circular de painéis derivados de madeira
Após quatro anos de investigação, desenvolvimento e testes industriais, o projeto EcoReFibre está a chegar ao fim, demonstrando o potencial da recuperação de fibras provenientes de resíduos de madeira pós-consumo e da sua reincorporação em novos painéis derivados de madeira. Enquanto parceiro do projeto, a Sonae Arauco contribuiu para transformar a investigação em soluções à escala industrial, promovendo uma indústria de painéis derivados de madeira mais circular.
Financiado pelo programa Horizonte Europa da União Europeia, o EcoReFibre reuniu empresas do setor, organizações de investigação e parceiros tecnológicos para desenvolver novas abordagens à reciclagem de painéis de fibras pós-consumo e aumentar a utilização de matérias-primas secundárias em produtos derivados de madeira.
Ao longo dos quatro anos do projeto, a Sonae Arauco desempenhou um papel ativo no teste e validação destas soluções, incluindo à escala industrial, contribuindo com a sua experiência na produção de painéis derivados de madeira e na utilização circular da madeira.
Uma das principais áreas de trabalho do projeto centrou-se na recuperação de fibras provenientes de resíduos de madeira pós-consumo e na sua incorporação na produção de novos painéis MDF. Os ensaios laboratoriais permitiram produzir, com sucesso, painéis com 15% e 25% de fibras recicladas provenientes de painéis de fibras pós-consumo. Os resultados do projeto demonstraram também que painéis com até 25% de fibras recicladas provenientes de madeira maciça pós-consumo poderiam cumprir os critérios de desempenho exigidos, apresentando propriedades comparáveis às dos painéis de referência.
Estes resultados demonstram o potencial das fibras recuperadas enquanto matéria-prima secundária para novos produtos derivados de madeira, contribuindo para uma maior eficiência na utilização dos recursos e para uma utilização mais circular da madeira.
O projeto explorou ainda outra possibilidade para a utilização de materiais recuperados nas operações da Sonae Arauco. Finos de MDF reciclado foram incorporados na camada superficial de painéis de partículas em percentagens até 20%, demonstrando novas oportunidades para manter os recursos de madeira na cadeia de valor e explorar novas aplicações para materiais reciclados.
Embora continuem a existir desafios, nomeadamente no que diz respeito à homogeneidade das matérias-primas recuperadas, ao seu pré-processamento e à adaptação dos processos industriais, os resultados alcançados através do EcoReFibre proporcionam conhecimento relevante para continuar a desenvolver a reciclagem de painéis de fibras à escala industrial.
Da investigação à aplicação industrial
Para a Sonae Arauco, a participação no EcoReFibre reflete um compromisso mais amplo com a utilização circular da madeira, assente num modelo de negócio que procura prolongar o ciclo de vida deste recurso renovável através da reciclagem e da sua incorporação em novos produtos.
Ao testar soluções em condições industriais, a empresa contribuiu para aproximar a investigação da aplicação prática, gerando conhecimento que poderá apoiar o desenvolvimento futuro de tecnologias e processos de reciclagem mais eficientes.
Os resultados finais do projeto serão partilhados com representantes da indústria, investigadores e decisores políticos no evento público de encerramento do EcoReFibre, que terá lugar em Hamburgo, a 14 de outubro de 2026. Durante o evento, Adelaide Alves, R&D and Product Development Director na Sonae Arauco, irá apresentar o trabalho desenvolvido no âmbito do projeto sobre a reciclagem de resíduos de painéis de fibras pós-consumo para incorporação em novos painéis de partículas.
Com a chegada do EcoReFibre ao fim, os seus resultados reforçam o potencial da colaboração entre a indústria, a investigação e os parceiros tecnológicos para acelerar o desenvolvimento de soluções circulares para o setor dos painéis derivados de madeira.
Para a Sonae Arauco, a conclusão do projeto não representa apenas o fim de quatro anos de investigação. Representa também novo conhecimento e evidências que poderão apoiar o trabalho contínuo da empresa no sentido de aumentar a eficiência na utilização dos recursos, reforçar a utilização de matérias-primas secundárias e manter a madeira em circulação durante mais tempo.
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