Tempestade Kristin: recuperar valor, reduzir risco
A tempestade Kristin, que afetou a região Centro de Portugal, provocou impactos significativos nos povoamentos florestais, sobretudo de pinho e eucalipto, com extensas quedas e quebras de madeira.
Para além da perda imediata de volume e valor económico, o episódio agravou desafios estruturais como o acesso às áreas afetadas, a rápida degradação da madeira e o aumento do risco de incêndio devido à acumulação de material combustível.
Neste texto, o autor sublinha a importância de uma resposta coordenada entre proprietários, indústria, prestadores de serviços e entidades públicas, assente na recuperação de valor, na proteção dos interesses dos produtores e na mitigação do risco ambiental.
A criação de soluções coletivas, como parques de receção e armazenamento temporário, é destacada como fundamental para estabilizar fluxos, reduzir perdas e reforçar a resiliência da fileira florestal perante eventos extremos cada vez mais frequentes.


Disponibilidade Estratégica de Madeira na Europa: desafios e caminhos para uma bioeconomia sustentável
A madeira é um recurso estratégico essencial para a transição climática europeia, desempenhando um papel central na descarbonização da construção, da indústria e da economia circular. No entanto, estudos recentes indicam um desequilíbrio crescente entre a procura e a disponibilidade sustentável de madeira na Europa, podendo atingir um défice significativo até 2040.
Este cenário resulta da combinação de políticas de conservação e restauro da natureza, do aumento da procura por produtos de base florestal e da crescente pressão da bioenergia. O texto destaca os riscos de incoerência entre políticas climáticas, energéticas e florestais, alertando para a necessidade de reforçar o princípio do uso de madeira em cascata.
Para Portugal, onde os incêndios e os incentivos à queima agravam o problema, são apontados caminhos como a gestão ativa da floresta, o aumento da área florestal e a valorização da madeira em aplicações de longa duração.
Regeneração natural de pinheiro‑bravo: conhecimento científico e opções de gestão
O pinheiro‑bravo é uma espécie-chave das florestas portuguesas, com elevado valor económico e ambiental, mas cada vez mais vulnerável a incêndios, pragas e alterações climáticas. A regeneração natural é fundamental para a continuidade destes povoamentos, dependente de três fases críticas: produção e dispersão de sementes, germinação e sobrevivência das plântulas.
O sucesso do processo é fortemente condicionado pelas condições locais, pela severidade e recorrência do fogo e pelas decisões de gestão florestal. A evidência científica mostra que a ausência de gestão compromete a regeneração, enquanto práticas como cortes finais graduais, gestão equilibrada de sobrantes, controlo da vegetação acompanhante e manutenção de árvores‑semente favorecem a instalação das novas plantas. Integradas numa estratégia de redução do risco de incêndio, estas opções reforçam a resiliência e sustentabilidade do pinhal‑bravo.
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Desbastes em povoamentos de pinheiro‑manso: volumes e biomassas
Este estudo analisa o impacto de diferentes intensidades de desbaste em povoamentos de pinheiro‑manso, avaliando volumes, crescimento das árvores e biomassa removida. A investigação decorreu na Mata Nacional do Escaroupim e na Mata Nacional de Valverde, em povoamentos com objetivos distintos de produção de pinha e de madeira.
Os resultados mostram que desbastes mais intensos reduzem o volume por hectare, mas favorecem o crescimento em diâmetro e volume da árvore média, devido à menor competição pelos recursos. O material removido em desbaste e desramação representa uma quantidade significativa de biomassa, com potencial valorização energética e económica.
O estudo evidencia que os desbastes são uma ferramenta essencial de gestão, permitindo melhorar o desenvolvimento dos povoamentos, reduzir riscos e gerar receitas complementares através da biomassa florestal.
(+) Informação DetalhadaCCforBio: Corredores de conservação em florestas de produção
O projeto CCforBio demonstra como é possível integrar corredores de conservação em florestas de produção, reforçando a biodiversidade, o sequestro de carbono e a resiliência sem comprometer a produção de madeira. Desenvolvido na Mata Nacional das Dunas de Quiaios, num pinhal‑bravo afetado por incêndio e invasoras, o projeto testa soluções de restauro ecológico ao longo de galerias ripícolas, combinando controlo de espécies invasoras, valorização de biomassa e reintrodução de espécies nativas.
A monitorização da flora, fauna e carbono, apoiada por deteção remota e inteligência artificial, permite avaliar custos e benefícios ao longo do tempo. Enquadrado na Lei Europeia do Restauro da Natureza e nos futuros créditos de natureza, o CCforBio posiciona os corredores ecológicos como infraestruturas estratégicas para uma floresta produtiva, resiliente e alinhada com as metas europeias.
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